Neste artigo, o Professor António Covas propõe uma reflexão particularmente relevante para quem trabalha o desenvolvimento local, a coesão territorial e a valorização dos territórios a partir das suas comunidades.
Partindo da ideia de que os territórios são realidades vivas, multifacetadas e em permanente reconstrução, o autor chama a atenção para o desequilíbrio existente entre as redes institucionais, mais formais e burocráticas, e as redes sociais e funcionais, onde reside grande parte do capital social, da cooperação e da inovação cidadã.
A reflexão desafia-nos a pensar para além da simples digitalização dos territórios. Não basta criar plataformas, incubadoras, espaços de coworking ou comunidades online se estas não forem capazes de responder aos problemas reais das comunidades offline, sobretudo nos territórios de baixa densidade.
António Covas sublinha, por isso, a importância das CRP (comunidades, redes e plataformas), como base para uma internet mais democrática, colaborativa e ao serviço dos cidadãos e cidadãs. Uma internet capaz de reforçar a inteligência coletiva territorial, valorizar os sinais distintivos dos territórios, recompor cadeias de valor locais e abrir novas oportunidades a partir da economia imaterial, circular e colaborativa.
Para a Animar e para a sua Rede, este é um contributo que dialoga diretamente com a importância do trabalho em rede, da participação cidadã, da investigação-ação e da construção de modelos de governança territorial mais próximos, cooperativos e transformadores.