A presente publicação analisa as desigualdades de género no mercado de trabalho em Portugal, no contexto da comemoração do Dia Internacional da Mulher, instituído pela Organização das Nações Unidas em 1975. Partindo de um enquadramento das principais políticas nacionais e europeias de promoção da igualdade, o texto examina tendências estruturais da participação feminina no emprego. Nas últimas décadas, Portugal registou um aumento expressivo das qualificações das mulheres e uma elevada taxa de participação feminina no mercado de trabalho, próxima da paridade em termos de volume de emprego. Contudo, persistem desigualdades significativas na qualidade do emprego. As mulheres apresentam níveis mais elevados de subemprego e de sobrequalificação, continuam sub-representadas nos cargos de topo e enfrentam diferenciais remuneratórios relevantes. Apesar dos progressos alcançados, as desigualdades de género mantêm uma natureza estrutural e sistémica, refletindo assimetrias sociais mais amplas. O reforço e aprofundamento das políticas públicas revela-se, assim, essencial para consolidar uma igualdade substantiva no trabalho e no emprego.