Naquele ano, a reportagem então publicada na VISÃO deu origem a uma exposição que retratava as histórias das 28 mulheres assassinadas em Portugal, no ano anterior, em contexto de violência doméstica.
Era um número que ganhava peso numa data simbólica: passavam quinze anos após a violência doméstica ter sido tipificada como crime público. Ainda assim, década e meia depois, a força da lei contrastava com a persistência do problema, lembrando que a mudança jurídica não transforma de imediato estruturas sociais nem relações de poder que continuam a normalizar o controlo, o silêncio e o sofrimento das mulheres.
Dez anos depois, regressamos a esse trabalho com a distância do tempo, mas com a mesma inquietação. O mundo de 2026 mudou, mas muitas lógicas de violência mantêm-se quase intactas.
Ao acolher esta exposição, a Reitoria da Universidade NOVA de Lisboa associa-se às instituições que escolhem dar visibilidade a estas histórias e recusar o seu esquecimento. A violência de género não é um fenómeno isolado, mas uma realidade estrutural que interpela o conhecimento, mobiliza a cidadania e exige políticas públicas consistentes.
A exposição é cedida pela ANIMAR – Associação para o Desenvolvimento Local, que desde 2016 a apresenta em itinerância por várias regiões do país.
Fonte: https://www.unl.pt/eventos/mostra-aqui-morreu-uma-mulher-10-anos-depois/