“Mulheres que sustentam territórios: liderança comunitária invisível”.
Há territórios que se mantêm de pé graças a uma força silenciosa. Não aparece nas manchetes, nem sempre ocupa os lugares de poder, mas está lá de forma persistente. Muitas vezes, essa força criadora e transformadora tem rosto de mulher.
São mulheres que tecem redes onde havia isolamento, que cuidam sem perder a visão, que organizam o presente enquanto imaginam o futuro. Sustentam comunidades com a mesma naturalidade com que sustentam afetos. A sua liderança raramente é ruidosa. É uma liderança feita principalmente de escuta, de firmeza tranquila, de convicção inabalável e de compromisso com o bem comum.
Lídia Jorge lembra-nos que as mulheres não existem para ocupar lugares de montra, mas para pensar, decidir, criar e intervir, seja na política, na ciência, na arte e na vida. Devem ser reconhecidas pelo seu mérito, pela sua obra, pela sua inteligência sensível. E talvez seja essa inteligência que mais falta faz aos nossos tempos inquietos.
O futuro escreve-se no feminino quando deixamos de olhar as mulheres como exceção e passamos a reconhecê-las como fundamento. Quando a sua presença deixa de ser invisível e passa a ser assumida como essencial.
Porque os territórios florescem quando todas as vozes contam.
E a esperança constrói-se no plural.
Julieta Sanches, Dirigente Associativa