“Governar no feminino em territórios de baixa densidade: desafios estruturais e transformação concreta”.
Governar no feminino em territórios de baixa densidade: um compromisso com as pessoas
Governar em territórios de baixa densidade é muito mais do que gerir recursos ou executar obras. É sim conhecer as pessoas pelo nome, compreender as suas preocupações e partilhar com elas a responsabilidade de construir futuro.
Governar no feminino, em meu entender, é exercer uma liderança próxima, dialogante e determinada. É acreditar que o desenvolvimento não se mede apenas em números, mas na qualidade de vida das famílias, nas oportunidades criadas para os nossos jovens e na dignidade assegurada aos nossos idosos.
Num território insular como o da ilha de Santa Maria, nos Açores, os desafios são reais: distância e necessidade de mobilidade, envelhecimento demográfico em que os mais jovens, depois de completarem os seus estudos, encontram motivação noutras paragens de maior dimensão e já não querem regressar à ilha. Mas também é real a nossa capacidade de resistência, de solidariedade e de inovação.
As mulheres que assumem funções públicas nestes contextos sabem que cada decisão tem um impacto direto na vida da comunidade e é essa consciência que nos fortalece; uma consciência que fui adquirindo nos cargos políticos que já desempenhei, como deputada no Parlamento dos Açores, mas também nas atuais funções, como presidente de câmara, no Município de Vila do Porto.
Neste Dia da Mulher, afirmo com convicção: governar no feminino é cuidar, decidir e transformar. É provar que a proximidade é força e que a igualdade não é apenas um princípio — é um caminho que se constrói todos os dias, com trabalho, coragem e visão.
Bárbara Torres Chaves, Presidente de Câmara de Vila do Porto