“Entre políticas públicas e vidas reais: o que ainda falta fazer”.

Há desigualdades entranhadas nas nossas vidas quotidianas que facilmente se tornam invisíveis, pela repetição dos gestos, pelas expectativas sociais sobre os papéis de homens e mulheres ou pela naturalização do que é, afinal, resultado de escolhas sociais.

As políticas públicas das últimas cinco décadas permitiram grandes avanços na promoção da igualdade, mas ainda há um longo caminho a percorrer — para que se adaptem a um mundo em rápida transformação, para que não haja retrocessos ou para que saiam do papel e transformem, de facto, as nossas vidas quotidianas.

Entre os muitos pontos cegos desta desigualdade, destacamos aqui dois, por razões de espaço. O primeiro é o trabalho doméstico e de cuidados, essencial para o nosso bem-estar, mas cuja responsabilidade permanece distribuída de forma desigual. O peso recai desproporcionalmente sobre as mulheres — as cuidadoras da família — e, quando não podem assumir essa carga, recorrem a outras mulheres. Quando os recursos financeiros são limitados, como acontece num país onde milhares de pessoas — na sua maioria mulheres — vivem com baixos salários, espera-se que sejam elas a assegurar o trabalho de cuidados e a assistência familiar, abdicando, se necessário, do seu tempo de repouso ou lazer.

Também a violência doméstica e de género é um sintoma visível desta desigualdade estrutural, que radica em concepções patriarcais de poder e controlo. As mulheres continuam a ser cerca de 80% das vítimas, e a maioria dos crimes é cometida por homens.

Queremos igualdade para as mulheres na economia, na vida pessoal e familiar, na política, nos espaços públicos e na sociedade como um todo. Não queremos continuar à espera: queremos justiça e mudança agora.

Graça Rojão, Dirigente da CooLabora

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