“As mulheres que nunca se reformaram da cidadania e da luta pela igualdade”.

A condição perante o emprego — ativa, desempregada ou aposentada — não implica a reconfiguração dos papéis sociais das mulheres ou dos homens. Deve, isso sim, persistir a plena liberdade de uso do tempo, seja na participação cívica e na vida pública, seja no próprio esfera produtiva.

Em Portugal, a maioria das mulheres nunca se reformam verdadeiramente da vida produtiva. Continuam a laborar na economia não formal, assegurando apoio à família, aos filhos, aos netos e a outros familiares. Esta é uma revelação possante de cidadania ativa e que deve ser reconhecida como tal -o frequente envelhecimento ativo por necessidade económica, perante um Estado ainda distanciado dos problemas concretos das comunidades. São estas as grandes protagonistas que perduram profundamente discretas.

Outras dispõem de condições que lhes permitem permanecer na esfera pública: nos territórios, nas associações, nas escolas, nas autarquias, nos movimentos cívicos. Interferem nos processos de desenvolvimento local, atuam como mediadoras intergeracionais, guardiãs da memória coletiva e agentes de transformação social a assegurar a transmissão de saberes passagem geracional e a busca constante da liberdade democrática.

Num país marcado por desigualdades estruturais de género — salariais, profissionais e políticas — o legado das mulheres é continuar a intervir, a questionar e a criar espaço público.  Reformar de um emprego não é reformar da responsabilidade coletiva nem da luta pela igualdade-cidadania com todas/os.

Isabel Rufino, Dirigente da Barafunda

Lema: todas e todos somos mestres e aprendizes em todas as fases da vida – importa criar aberturas com as margens, no princípio de que é nestas (margens) que está a fertilidade.

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