Uma economia social forte para uma Europa soberana

A Social Economy Europe (SEE) destaca o papel estratégico da economia social na construção de uma Europa mais autónoma, competitiva, democrática e resiliente, na sequência do recente Discurso sobre o Estado da União Europeia, proferido pela Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Na sua intervenção, a Presidente da Comissão colocou no centro do debate europeu temas como a autonomia, a competitividade, a preparação para crises e a resiliência democrática. Para a Social Economy Europe, estes desafios estão diretamente ligados ao contributo das organizações e empresas da economia social, que diariamente desenvolvem respostas de proximidade, promovem a participação democrática e reforçam a coesão social e territorial.

Economia social como fator de soberania e coesão

Cooperativas, mutualidades, associações, fundações, empresas sociais e entidades financeiras da economia social desempenham um papel relevante na criação e manutenção de valor nos territórios, no fortalecimento das economias locais e na construção de cadeias de valor mais resilientes.

Este enraizamento territorial contribui, segundo a SEE, para reforçar a autonomia económica e industrial da Europa, ao mesmo tempo que promove maior coesão social e territorial.

Democracia e participação

Num contexto marcado pela desinformação, pelo enfraquecimento do espaço cívico e por desafios crescentes à confiança nas instituições democráticas, a economia social assume também uma dimensão particularmente relevante.

Os seus modelos de governação participativa e coletiva promovem o envolvimento dos cidadãos na tomada de decisão e reforçam práticas democráticas no interior das organizações e das comunidades.

Transição digital ao serviço das pessoas

A digitalização e a Inteligência Artificial constituem igualmente áreas em que a economia social pode dar um contributo diferenciador.

As organizações do setor têm vindo a desenvolver soluções tecnológicas orientadas para o bem comum, promover competências digitais, criar modelos cooperativos de plataformas e explorar soluções de Inteligência Artificial que procurem responder às necessidades das pessoas, organizações e comunidades.

Uma transição ambiental justa

A Social Economy Europe destaca ainda o papel das organizações da economia social na resposta às alterações climáticas e na construção de modelos de desenvolvimento mais sustentáveis.

Economia circular, comunidades de energia, sistemas alimentares sustentáveis, combate à pobreza energética e mobilização das comunidades são algumas das áreas onde a economia social já apresenta respostas concretas para uma transição ambiental mais justa.

Reconhecer a economia social no próximo Quadro Financeiro Plurianual

A SEE defende que este contributo deve ser reconhecido e reforçado nas futuras políticas europeias, em particular no próximo Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034.

Ao mesmo tempo, sublinha a importância de continuar a aprofundar a implementação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, salientando que competitividade e soberania devem caminhar lado a lado com direitos sociais, emprego de qualidade, acesso a serviços essenciais e combate à pobreza.

Da habitação acessível às alterações climáticas, dos cuidados à mudança demográfica, do desenvolvimento regional à criação de emprego de qualidade, as organizações da economia social estão já a desenvolver respostas concretas a alguns dos principais desafios identificados para o futuro da União Europeia.

Uma Europa mais autónoma, democrática e competitiva deverá ser também uma Europa socialmente resiliente. E a economia social tem um papel central na construção desse futuro, a partir dos territórios e das comunidades.

Fonte: Social Economy Europe — “A strong social economy for a sovereign Europe”.

 

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