Academia do Desenvolvimento 2026 refletiu sobre o futuro da Cooperação, do Multilateralismo e das ONGD

A Academia do Desenvolvimento 2026 realizou-se no dia 2 de junho, na NOVA FCSH, em Lisboa, reunindo cerca de 100 participantes de organizações da sociedade civil, academia, entidades públicas e outros atores da Cooperação para o Desenvolvimento num espaço de reflexão crítica, debate e construção coletiva.

Promovida pela Plataforma Portuguesa das ONGD, com o apoio do Camões, I.P., esta edição colocou no centro da discussão os desafios atuais do Desenvolvimento Internacional, num contexto marcado por crises globais, desigualdades persistentes, emergência climática, tensões geopolíticas e pela necessidade de repensar o papel da cooperação, do multilateralismo e das organizações da sociedade civil.

O programa teve início com a sessão “Desenvolvimento em Crise: O Futuro da Cooperação, do Multilateralismo e das ONGD”, com Maria Hermínia Cabral, Diretora do Programa Parcerias para o Desenvolvimento da Fundação Calouste Gulbenkian. Ao longo da manhã, decorreram várias “Conversas Difíceis”, dedicadas à descolonização do desenvolvimento, ao papel político das ONGD e à relação entre desenvolvimento e defesa.

Durante a tarde, as sessões paralelas aprofundaram temas como o diálogo entre ONGD e jovens sobre justiça social e climática, a articulação entre ONGD, empresas e universidades no mercado internacional com multilaterais, os caminhos nas redes digitais e o lugar das empresas no desenvolvimento.

A reflexão sobre juventude, justiça social e climática trouxe para o debate a importância de escutar as vozes dos jovens e de os envolver na construção dos significados da Cidadania Global. Foi sublinhado que os desafios globais exigem capacidade crítica, leitura da complexidade e participação ativa, sendo a Educação para o Desenvolvimento e a Cidadania Global uma abordagem essencial para trabalhar temas como justiça social, direitos humanos, paz, interdependências, sustentabilidade e transformação social.

As sessões permitiram também refletir sobre as novas formas de participação juvenil. Embora a participação formal dos jovens tenha vindo a diminuir, outras formas de participação não-formal, como o ativismo, a mobilização digital, a assinatura de petições, o boicote ou o envolvimento em iniciativas promovidas por organizações da sociedade civil, têm vindo a ganhar relevância. Este contexto desafia as ONGD a repensarem linguagens, metodologias e formas de diálogo com as gerações mais jovens.

Outro eixo de trabalho passou pela necessidade de “desformatar cabeças”, questionando estereótipos, mapas mentais e leituras simplificadas do mundo. A partir de abordagens pedagógicas e participativas, foram trabalhadas reflexões sobre consumo sustentável, justiça climática, responsabilidade coletiva e a importância de repensar o consumo pelas pessoas e pelo planeta.

A sessão de encerramento esteve a cargo de Florbela Paraíba, Presidente do Camões, I.P., encerrando um dia marcado pelo diálogo, pela reflexão e pela procura de novos caminhos para uma cooperação mais justa, crítica, participada e transformadora.

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