5 de dezembro é todos os anos um dia especial. É o dia em que paramos para agradecer, celebrar e reconhecer os milhares de pessoas que, por todo o país, dedicam tempo, conhecimento e energia a causas que fazem a diferença. Mas este ano, o Dia Internacional da Voluntária e do Voluntário chega num momento particularmente simbólico: num mundo marcado por crises sucessivas,  do custo de vida à habitação, da emergência climática à solidão, o voluntariado tem-se revelado uma força silenciosa, mas decisiva, na coesão social e no desenvolvimento das comunidades.

A Animar, que acompanha de perto a evolução do voluntariado em Portugal, descreve um cenário em profunda transformação. Se há dez anos a participação era sobretudo presencial, regular e concentrada em áreas clássicas como a ação social, hoje multiplicam-se novas modalidades, novos perfis e novas formas de estar ao serviço dos outros. Os dados nacionais mostram que a taxa global de voluntariado formal se mantém baixa em comparação com outros países europeus. Mas isso não conta toda a história. Por detrás dos números, há sinais claros de renovação e também necessidade de repensar o conceito de voluntariado, considerando por exemplo o voluntariado formal e informal, do qual se tem uma perceção que tem vindo crescer de importância e que, de forma adaptativa e inorgânica, tem dado cada vez mais respostas importantes do ponto de vista comunitário.

 

O voluntariado de competências: uma força que cresce na sombra e transforma políticas públicas
Se uma parte do voluntariado vive no terreno, outra menos visível, ganha hoje importância estratégica na Animar: o voluntariado de competências. Na Animar, esta forma de participação é central e envolve pessoas ligadas à investigação, técnicos/as, dirigentes associativos, docentes e especialistas que contribuem com saber, análise e visão crítica para fortalecer agendas públicas e políticas. É um voluntariado que ajuda na tomada de posições, auxilia na participação em consultas públicas, ajuda a desenhar proposta para estratégias nacionais e regionais, anima plataformas temáticas e grupos de trabalho, participa em novas propostas de prestação de serviços que reforçam a sustentabilidade organizacional, etc. É também um voluntariado altamente qualificado, que exige tempo, preparação e capacidade de influência, e que se tornou essencial para que as propostas no âmbito das políticas públicas da Animar, tenham maior qualidade e impacto.

O que precisamos para o futuro? Mais inclusão, mais simplicidade e mais reconhecimento
Da experiência acumulada na rede de desenvolvimento local, a Animar deixa recomendações claras:

– Valorizar e financiar a gestão de voluntariado, porque sem pessoas dedicadas a coordenar, formar e acompanhar, nenhum programa é sustentável;

– Reforçar redes e intermediários, fundamentais para ligar iniciativas locais a políticas nacionais e europeias;

– Simplificar procedimentos, especialmente para organizações pequenas e em territórios de baixa densidade;

– Promover voluntariado verdadeiramente inclusivo, removendo barreiras físicas, económicas e digitais;

– Articular voluntariado com educação e formação ao longo da vida, garantindo reconhecimento de competências;

– Dar mais visibilidade pública ao impacto do voluntariado, não apenas em horas, mas na transformação social que provoca e convoca.

Neste 5 de dezembro, mais do que celebrar números, celebramos pessoas. Pessoas que cuidam, que escutam, que ensinam, que lutam por causas justas, que seguram a comunidade, quando tudo à volta parece tremer. Celebramos as pessoas que fazem voluntariado no terreno junto das pessoas, e celebramos também quem oferece as suas competências para transformar políticas públicas, torná-las mais humanas e mais próximas das realidades locais.

A todas e todos vós, voluntárias e voluntários da Rede Animar, um agradecimento profundo.

O voluntariado não substitui direitos, reforça-os. Não ocupa postos de trabalho, complementa-os com humanidade. Não vive de heróis e heroínas, vive de pessoas reais que constroem todos os dias um país mais justo, solidário e atento.

Feliz Dia Internacional da Voluntária e do Voluntário.

Que continuemos, juntas e juntos, a cuidar do que importa!

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