Academia de Economia Social e Solidária 2021

16/11/2021 |
Academia de Economia Social e Solidária 2021

 

Iniciou ontem a 12ª edição da Academia de Economia Social e Solidária, que decorrerá entre 15 e 26 de novembro, tendo como preocupação o papel da Economia Social e Solidária numa recuperação centrada no ser humano e sensível ao planeta

 

Esta edição da Academia dará um enfoque especial ao papel da Economia Social e Solidária (ESS) no contexto da crise originada pela pandemia da COVID-19 e face aos desafios e oportunidades colocados pelo mundo do trabalho em rápida transformação.

A Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, no âmbito da sessão de inauguração, reforçou a importância no setor de Economia Social na nossa sociedade, destacando o contributo deste setor na resposta à crise provocada pela pandemia Covid-19, em que desempenhou uma função de amortecedor e da criação de respostas aos problemas que iam surgindo, colocando em prática os valores da inclusão, quer dos públicos a que se destina, quer nas pessoas e entidades que integram a sua missão.

Este é o momento para a mobilização de todos nós para investirmos na transformação e criação de uma ordem social para o bem, que vê a economia social como um instrumento determinante para esta transformação.

Atualmente dispomos de um Plano de Ação para a Economia Social, que vai ser apresentado no dia 8 de dezembro de 2021, e que foi construído como uma agenda de todos, assumido na Cimeira Social do Porto. A este propósito, no âmbito dos instrumentos de financiamento europeus, nomeadamente no Plano de Recuperação e Resiliência, Portugal incluiu investimento para assumir a Economia Social como parceiro-chave para a aceleração e transformação da sociedade. Por fim, a Ministra Ana Mendes Godinho referiu ainda que, em Portugal, será criado um Centro de Formação e Capacitação da Economia Social, que se destina à formação de trabalhadores/as neste sector e à capacitação para a gestão das entidades de Economia Social, para que possamos tornar a Economia Social num instrumento de transformação da sociedade, uma arma de transformação e aceleração para esta nova ordem social para o bem, mas que carece do envolvimento de todos/as.

O Diretor-Geral da Organização Internacional do Trabalho, Guy Ryder, destacou o exemplo de Portugal, em que foi evidente o apoio da Economia Social e Solidária e do trabalho em parceria com a Cases e o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

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O Governo francês, no âmbito da sua presidência do Conselho da União Europeia, no primeiro semestre de 2022, irá realizar uma Conferência sobre Economia Social nos dias 17 e 18 de fevereiro, que decorrerá em Estrasburgo, e o link da chamada para contributos por parte de todos os stakeholders europeus no domínio da Economia Social, aberta até dezembro. Mais informações AQUI.

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No primeiro painel desta edição da Academia, foi destacada a importância da cooperação com a Economia Social e do seu forte contributo para a criação de emprego, verificando-se atualmente uma crescente procura e dinamismo do setor.

Mediante os desafios que enfrentamos – a superação da pandemia, que nos obriga a construir um futuro de forma diferente, bem como os impactos das alterações climáticas, o Secretário de Estado da Segurança Social, Gabriel Bastos, salientou o papel da CASES no acompanhamento do setor, quer no desenvolvimento e monitorização da Base de Dados da Economia Social. É fundamental a criação e manutenção de empregos dignos e com qualidade no âmbito da Economia Social, sendo esta uma das prioridades do Pilar dos Direitos Sociais, pois só assim podemos contribuir para um crescimento inclusivo, justo e saudável.

O Ministro de Cabo Verde, Elísio Freire, referiu que onde há desigualdade e pessoas em situação de fragilidade, há um largo campo de atuação para as entidades de Economia Social.

Em Cabo Verde, decorrente da maioria da população ser feminina, estas entidades têm um papel muito relevante, sobretudo na área da proteção social, capacitação e empoderamento de mulheres.

O Plano de Ação para a Economia Social foi construído com o contributo das entidades da sociedade civil e será também uma oportunidade para reforçar o diálogo entre o Governo dos vários países com o setor da Economia Social, sendo a ação destas entidades, de vários níveis e âmbito, muito relevante para a criação de políticas de Economia Social ao nível internacional, nacional, regional e local.

O movimento de economia social é o mais amplo da economia global, que denota importante relevância para os sindicatos, pois torna-se essencial assegurar os direitos dos/as trabalhadores/as e assegurar o diálogo social.

O Trabalho em Rede é uma área extremamente rica e diversificada, que é fundamental para tirar partido do setor económico e social, precisamente porque tem esta marca de solidariedade e de vivência de valores democráticos. Precisamos de sociedades abertas, pluralistas e democráticas, que agreguem a lógica pública e social e tragam para este domínio o setor privado, de modo que estas políticas sejam partilhadas e interiorizadas por todos. Só assim é possível construir uma sociedade civil mais forte.

O Ministro de Cabo Verde destacou que os elementos essenciais para a promoção da economia social e solidária, são o planeamento, que forma a não deixar ninguém para trás, e a democracia e liberdade, e são as entidades de economia social e solidária que têm capacidade de chegar aos públicos mais desfavorecidos.

A Academia de Economia Social e Solidária é também um espaço para a criação de networking, de criação de relação entre as pessoas e entidades, a partir do qual é possível criar redes, projetos, intercâmbios refere Roberto di Meclio, especialista sénior em Desenvolvimento Local e Economia Social e Solidária, na Organização Internacional do Trabalho.

A chefe de gabinete de Nicolas Schmit, Comissário para o Emprego e os Direitos Sociais, Santina Bertulessi, destacou a necessidade de criação de um quadro legislativo e de apoio a financiamento, para que a partir de uma intervenção participada, as entidades de Economia Social e Solidária tenham condições para contribuir para um novo modelo social, mais resiliente e sustentável. A ideia do Plano de Economia para a Economia Social é muito importante e contribuirá para a implementação do Pilar dos Direitos Social e redução da exclusão social.

Sharan Burrow, Secretária-Geral da Organização Internacional do Trabalho, destacou a necessidade de reconhecimento do sector, pois não podemos negligenciar a necessidade de reconhecimento deste setor e do seu forte contributo para a economia global.

Vídeo da Sessão de Inauguração

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