12% das organizações de economia social fecharam em 2020

06/05/2021 |
12% das organizações de economia social fecharam em 2020

No último ano, 12% das organizações de economia social encerraram, de acordo com a segunda edição do estudo “Economia Social em Portugal no contexto da Covid-19“.

A análise também alerta que os encerramentos poderão duplicar nos próximos meses, assim como aumentam as dificuldades em pagar salários e manter trabalhadores.

Desde março do ano passado, quando foram registados os primeiros casos de infeção de covid-19 em Portugal, 144 organizações sem fins lucrativos tiveram de fechar portas, um problema que afetou mais fortemente as instituições ligadas às "artes, cultura, desporto, educação e juventude", revela o mesmo estudo nacional.

A capacidade das Organizações da Economia Social (OES) para continuar a prestar serviços diminuiu consideravelmente, segundo o trabalho realizado por investigadores dos institutos politécnicos de Setúbal e de Portalegre, no qual participaram 944 organizações.

Assim, 12% deixaram de realizar qualquer atividade e, entre as que se mantiveram no ativo, mais de metade (54%) teve uma redução drástica ou moderada de atividade, segundo informação avançada hoje pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP).

Apenas 34% (323 organizações) conseguiram adaptar-se e ter recursos para continuar a prestar apoio. Neste grupo, metade manteve as respostas que dava antes da pandemia e a outra metade conseguiu mesmo aumentar as ajudas.

Se a maioria das OES confirma que tem condições financeiras para honrar os compromissos e manter atividade nos próximos três meses, existem 11% que ponderam encerrar atividade, uma vez que não são sustentáveis.

Uma em três instituições em risco de fechar (34%) são Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), segundo o estudo baseado em inquéritos online realizados entre 9 de fevereiro e 25 de março.

A maioria das instituições inquiridas (58%) acredita que estas pessoas que deixaram de receber apoio estão a passar dificuldades, sendo os idosos o grupo mais afetado, até porque acabaram os convívios e as ocupações ativas que contribuem para a sua saúde física e mental, a par da solidão decorrente do facto de viverem sozinhos.

As conclusões fazem parte do trabalho de investigação "Economia Social em Portugal no contexto da covid-19", iniciado em maio de 2020 junto das organizações da economia social. Esta segunda fase do estudo, assenta no lançamento do 2.º inquérito `online` realizado durante o período entre 9 de fevereiro e 25 de março deste ano.

(in Newsletter redmut, Maio 2021)