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Vez e Voz 2018

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CAPA-VEZ-E-VOZ-2018-curvas-copyEDITORIAL
O desenvolvimento é Ação Local
Víctor Andrade

MANIFesta’18 – PENACOVA
A MANIFesta’18, dia-a-dia
António Barata
SESSÃO DE ABERTURA
Animar: 25 anos de animação territorial e comunitária
Marco Domingues
Economia social em Portugal
Eduardo Graça
ECONOMIA SOCIAL E SOLIDÁRIA E DESENVOLVIMENTO LOCAL
O futuro da economia social e solidária em Portugal: desafios e oportunidades
Pedro Hespanha
Empresas sociais e economia solidária: fronteiras e oportunidades
Sílvia Ferreira
POLÍTICAS DE ORDENAMENTO E COESÃO TERITORIAL
Futuro da Europa – do local para o global
Susana Fonseca

A VALORIZAÇÃO DO INTERIOR
Os territórios não são pobres, estão pobres
António Covas

ECONOMIA SOCIAL E SOLIDÁRIA
Inovação e avaliação de impacto
Marco Domingues

FFES III
Finanças éticas e solidárias – desafios à implementação no nosso país
Célia Pereira

DIREITOS DAS MULHERES
As organizações de emancipação social só podem ser feministas
Graça Rojão

REGISTO
Animar, 25 anos ao serviço   do desenvolvimento local
25 anos da Animar e do desenvolvimento local
Intervenção da Animar na Sessão de Encerramento do Roteiro para a Cidadania em Portugal
Parecer da Animar sobre o critério de candidaturas a Investimentos em Produtos Florestais não Identificados como Agrícolas – Intervenção da Animar no XIII Colóquio do Grupo Parlamentar Português sobre População e Desenvolvimento – Os Direitos Humanos na ordem do dia, sobre o tema Saúde-Cooperação-Igualdade
Audição Pública Desenvolvimento Sustentável

NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
Economia Social em movimento – uma história das organizações
Importância económica e social das IPSS em Portugal
Ainda (e sempre?) a descentralização

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EDITORIAL
O desenvolvimento é Ação Local

Quando se deu início ao processo MANIFesta colocou-se a questão: a MANIFesta realizava-se na continuação do modelo seguido desde a sua origem, debatendo temáticas importantes para os processos de desenvolvimento, ou tinha como foco um local, e a MANIFsta seria a exposição e o debate das possibilidades e constrangimentos ao desenvolvimento desse mesmo local? A decisão tomada foi no sentido de se avançar para uma versão de MANIFesta centrada no Local. Como a partir de junho de 2017 entrámos num período marcado pela problemática dos incêndios, o local seria um dos territórios afetados.

Entre algumas alternativas possíveis, a decisão recaiu na União de Freguesias de Friúmes e Paradela, concelho de Penacova. Freguesia que, nos fogos de outubro de 2017, foi afetada em mais de 90% da sua área geográfica.

Tínhamos a noção que trabalhar todas as dimensões do desenvolvimento num espaço geográfico reduzido era, de certa forma, redutor: as limitações operacionais não nos permitiam ser muito mais ousados. O essencial, para nós, era tornar explicitas as possibilidades e os constrangimentos nos processos de desenvolvimento local.

Decidido o local, havia que implementar uma estratégia para criar/testar processos que conduzissem à sua dinamização, ou seja, ao seu desenvolvimento.

Assim que se iniciou o processo ficaram claras as potencialidades da União de Freguesias de Friúmes e Paradela, que vão do património natural (rio Alva e serra da Atalhada) e do património edificado (moinhos de vento, aldeias e açudes no rio Alva) ao património cultural (as tradições das gentes, onde se destacam os saberes ligados à arte da moagem dos cereais nos moinhos de vento e de água, a arte da navegação fluvial – incluindo a construção naval –, a produção e transformação do linho e a gastronomia intimamente ligada à produção agrícola e pecuária local).

Como em todos os territórios, independentemente da sua dimensão, esta freguesia é um local físico e social, e o desenvolvimento é feito na sua inter-relação, e na desta com o exterior.

Com alguma frequência o local social fica algo esquecido. No levantamento social, feito em reuniões com pessoas e instituições locais, foi notória a perceção de uma identidade social construída no passado. Pelo que é difícil pôr em prática uma ideia que envolva as pessoas e as leve a acreditar nas suas capacidades para transformar e construir um espaço comum. Em suma, uma ideia mobilizadora que permita o seu envolvimento na transformação da sua realidade, e as conduza à ação com vista à concretização de objetivos comuns. As pessoas e as instituições locais competem entre si pelo espaço e pelos bens materiais e imateriais locais, o que dificulta uma organização coletiva de colaboração para melhorar as suas condições de vida.

A maioria das pessoas organiza-se segundo a perceção que tem do contexto social que as envolve e procura daí tirar vantagem, reproduzindo modelos de organização social já estabelecidos. Quando esse contexto entra em decadência torna-se muito difícil alterar ou inverter o processo. Por norma, meio a que se recorre para tentar alterar a situação é a formação. Mas os modelos que têm vindo a ser praticados não têm dado resposta, pois assentam numa ideia de deficit e não de superavit; predomina o ensino em detrimento da aprendizagem, e o que subjetivamente passa para as pessoas é um modelo de dependência e não de proatividade.

Apenas uma reduzida percentagem da população tem a capacidade de se organizar pelo futuro, como aquilo que não existe mas se deseja que venha a existir. Sem estas pessoas, que designamos de líderes, a transformação da realidade torna-se uma impossibilidade e toda a comunidade fica como que perdida e sente-se abandonada. A este grupo de líderes que atua em conjunto, em determinado local, poderíamos designa-lo por grupo de ação local, pois tem sempre um papel propositivo e reivindicativo perante o sistema e não meramente de administração local desse mesmo sistema.

As instituições e o seu papel no desenvolvimento

Como é evidente, as instituições são um espelho do que as pessoas que as representam são e do modo como se relacionam com os outros protagonistas e instituições. A clareza e a transparência na sua atuação é determinante para a criar as regras de confiança necessárias à participação e à colaboração. Sem transparência e clareza nos objetivos e na tomada de decisão cria-se um ambiente de desconfiança que mina as relações sociais e dificulta a participação das pessoas nos processos sociais do desenvolvimento. Quando isto acontece instala-se um ambiente competitivo, entre pessoas e instituições, que favorece a centralidade da tomada de decisão em detrimento da decisão local. 

Se o que se pretende é criar espaços de transformação e evolução social que leve as pessoas a envolver-se ativamente na construção das suas condições de vida, é urgente que as instituições envolvidas nos processos de desenvolvimento local sejam as primeiras a assumir um posicionamento que as coloque ao lado das populações locais e se organizem para reivindicar novas formas de funcionamento administrativo que transforme a administração central numa menos burocrática e a coloque numa postura de proximidade e apoio aos processos de inovação e transformação social, sem os quais não haverá desenvolvimento local.

Podemos ter muito conhecimento sobre a realidade do Local mas sem ação não existe mudança. O desenvolvimento é por isso a aliança entre conhecimento e ação.

Víctor Andrade, director da Animar

 

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