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Jovens estudantes sensibilizados para o tráfico de seres humanos (Voz da Figueira, 13/3/2019)

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O tráfico de mulheres para prostituição foi tema para sensibilizar dezenas de alunos, por parte da Associação Ninho. Seminário juntou técnicos de várias instituições que lidam diariamente com este “flagelo”

Por iniciativa da Associação “Ninho” e Câmara Municipal, realizou-se na semana passada, no auditório municipal, o seminário "E se fosse contigo", que abordou o tráfico de mulheres para prostituição.

Presentes, largas dezenas de alunos da Escola Dr. Bernardino Machado (Agrupamento Figueira Mar) e INTEP, que foram sensibilizados para este problema social, que, segundo o vereador Nuno Gonçalves “tem forte impacto no progresso da humanidade, é urna grave violação dos direitos humanos e da nossa dignidade”.

Apontando como causas para este “flagelo”, o autarca falou na “pobreza, desigualdades sociais, violência e falta de oportunidade de emprego”.

“É um trabalho tão perigoso e um dos mais lucrativos da história contemporânea (para os traficantes), a par com o tráfico de droga e de armas”, disse, sublinhando que a principal mudança “não é de afirmações fúteis, antes de mudança de mentalidades”.

“Toda a comunidade é responsável”

Na sessão, Pedro Araújo (do Ninho), explicou que os jovens, depois de experienciarem o projeto (em que entravam num carro designado “escritório” e ouviam o depoimento de uma jovem traficada para prostituição), mudaram de opinião sobre o que pensavam sobre este problema e sobre as implicações que tem na vida de quem passa por essa experiência.

Já Dália Rodrigues, directora técnica daquela IPSS, salientou que, além de pessoas dos países de leste, há muitas portuguesas “a serem traficadas”. Daí, “a sensibilização da sociedade, sobretudo dos jovens que serão os que no futuro poderão fazer alguma mudança”.

A prostituição “é uma questão de género – também há masculina – mas 90% é feminina e mais de 90% dos clientes de sexo são homens” e por isso, “é problema de desigualdade de género”, lutando para que “esta desigualdade não seja tão gritante”, sustentou.

“A mulher que está na rua é a mais julgada, mas a que tem menos culpa, porque se existe prostituição, é porque há quem as procura”, e por isso, “toda a comunidade é responsável”, frisam por seu lado, David Sousa e Joana Leal, técnicos da equipa de intervenção direta (prostituição de rua) da Associação Fernão Mendes Pinto que atuam na Figueira, dando apoio para que o sexo se faça “em segurança” e tentando criar uma relação de confiança.

Atualmente, salientam, o número de mulheres a prostituir-se na Figueira baixou, “porque foi desmantelada recentemente uma rede romena de tráfico. Mas continua a haver raparigas na rua”, romenas, mas também “portuguesas, brasileiras” sustenta.

O projeto “E se fosse contigo?”, do “Ninho”, que há mais de 50 anos que trabalha com esta problemática, é co-financiado pelo POISE (Programa Operacional Inclusão Social e Emprego) vai agora para o norte do país e depois para Espanha, França e outros países, terminando na Roménia.

 

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