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Manifestação Feminista chegou à Cova de Beira (Urbi et Orbi, 13/3/2019)

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No Dia da Mulher as ruas da Covilhã deram lugar à Manifestação Feminista, convocada a nível internacional pela Rede 8 de Março. O objetivo principal desta iniciativa é a luta pelos direitos da mulher e a mobilização contra a violência, a desigualdade e os preconceitos.

Este movimento, já conhecido por 8M, vem no seguimento do que aconteceu há um ano em Espanha. Nesse mesmo dia, o país vizinho parou em prol de manifestações da mesma natureza. Seguindo esse exemplo, Portugal filiou-se ao conceito 8M, começando por Lisboa. Com o passar do tempo, criaram-se núcleos em dezenas de cidades portuguesas: Albufeira, Braga, Chaves, Aveiro, Coimbra e até Ponta Delgada são alguns dos 13 concelhos que englobam a Rede 8M. No caso do Interior, o núcleo dirige-se à região incluindo não só a cidade da Covilhã, mas também a do Fundão.

A greve, que decorreu em vários pontos do país, foi organizada por mais de 30 coletivos, associações, sindicatos e organizações políticas nacionais. Inserida nesta lista, está a COOLABORA, cooperativa de intervenção social.

O papel desta organização é apoiar a manifestação feminista, já que continuam a existir disparidades entre homens e mulheres, como explica a diretora do núcleo Coolabora da Covilhã, Graça Rojão: “Os direitos humanos das mulheres e a democracia em si, só se podem realizar quando as pessoas tiverem os mesmos direitos, independentemente de nascerem homens ou mulheres.” Graça adianta ainda que apesar de já terem realizado algumas conquistas, estas “não são adquiridas” e que ainda há um longo caminho a percorrer.

Uma das principais finalidades da iniciativa foi dignificar o dia 8 de Março, uma vez que este se tem vindo a banalizar. “Infelizmente, este ainda é um dia de luta” proclamou Carmo Póvoas, membro do núcleo 8M. Também membro da estrutura ASTA , explica que esta luta incide sobre quatro eixos: do trabalho salarial, do trabalho doméstico, do consumismo, “associado à mulher” e do estudantil.

Apesar da greve feminista ter chegado à região Centro, não quer dizer que haja mais concentração de violação de direitos no Interior. Na verdade, como explica Graça Rojão, “a desigualdade entre homens e mulheres é a mais incidente em todo o mundo” e nada tem a ver com geografia: “É uma desigualdade estrutural”.

Esta manifestação realizou-se em todo o País e, cada núcleo teve liberdade para a organizar da maneira que quis. Na Covilhã, decorreu pelo centro da cidade, com especial atenção para os monumentos. O percurso efetuou-se por cinco estátuas. A explicação dada por Carmo Póvoas consiste na ausência de “estátuas de mulheres importantes” (apenas de figuras maternais) bem como “ruas com nomes de mulher”.  No decorrer da greve, os participantes ornamentavam as esculturas com aventais e cartazes em prol da greve feminista.

Carmo esclarece que este simbolismo remete para a colaboração dos homens “nas tarefas ditas domésticas, apoiando as mulheres nesta luta”. Ao longo do percurso fizeram-se leituras sobre casos específicos de violência doméstica e textos de apelo aos direitos da mulher destacando acontecimentos desfavoráveis à figura feminina.

O desfecho deste trajeto deu-se com a construção de uma estátua da mulher invisível. Uma construção feita por todos os que estavam presentes, deixando uma nota que realçasse o estatuto da mulher. O objetivo desta edificação, explica Póvoas, “é homenagear todas as mulheres importantes em todas as áreas do quotidiano”. Ao longo do percurso, a afluência de pessoas cresceu e, no fim, foi mais fácil contruir “a imagem da mulher que tem de ser dignificada”.

As associações envolvidas na iniciativa, nomeadamente a Coolabora, trabalham semanalmente com escolas, com estereótipos associados à educação e no desmantelamento de uma cultura de desigualdade. Para além de públicos mais jovens, a cooperativa aposta também na terceira idade, alertando para a questão da violência. Também o núcleo 8M da Cova da Beira tem vindo a realizar várias ações, esclarecimentos, debates e filmes em ambientes escolares com o intuito de antecipar o verdadeiro significado do dia da Mulher.

Esta greve, em prol dos direitos femininos e contra a violência doméstica, começou pela manhã na cidade do Fundão. Lá envolveram-se as escolas, com iniciativas dentro das disciplinas de formação cívica. O dia acabou com um debate, muita poesia e momentos musicais no Café Concerto.

Lara Cardoso

http://www.urbi.ubi.pt/pag/17880

 

 

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