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Tráfico de mulheres para prostituição foi mote para reflexão (Diário de Coimbra, 9/3/2019)

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Ninho - Associação que lida com o problema há 50 anos, fez “terapia de choque” para despertar a consciência a jovens instituições para este problema global

“Entram a rir e depois faz-se um silêncio brutal”. Foi assim que Dália Rodrigues caracterizou a forma como os jovens da Figueira reagiram ao projecto “E se fosse contigo?”. Em pequenos grupos entravam numa viatura (“o escritório”), toda forrada de branco (que, com o movimento, ia ficando suja, simbolizando o estado de alma da vítima) e viam – num tablet – o depoimento dramático de uma jovem romena vítima de uma rede de tráfico para prostituição, e saíam chocados. Foi assim com dezenas de alunos, num projecto da Associação Ninho, co-financiado pelo POISE, que culminou ontem, com a realização de um seminário com a presença de largas dezenas de alunos da escola Bernardino Machado e do INTEP.

No evento, Pedro Araújo (do Ninho) explicou que o depoimento que viram era de uma jovem romena (Mona), que entretanto desapareceu; que 96% da prostituição “é com meninas e mulheres”, e que do tráfico de seres humanos “mais de 90% é para a prostituição”.

Por seu lado, Dália Rodrigues, directora técnica daquela IPSS, no terreno há mais de 50 anos, explicou que o projecto se iniciou na Figueira “pela aceitação e apoio”, quer da autarquia, quer das duas escolas, e que agora segue para Norte e depois para outros países.

Recordando que também há muitas portuguesas “a serem traficadas” para este fim, diz que pretendem “a sensibilização da sociedade, sobretudo dos jovens que serão os que no futuro poderão fazer alguma mudança”. A prostituição “é uma questão de género. Também há masculina, mas 90% é feminina e mais de 90% dos clientes de sexo são homens”, e por isso “é um problema de desigualdade de género”, lutando para que “esta desigualdade não seja tão gritante”.

David Sousa e Joana Leal integram, na Figueira, a equipa de intervenção directa (prostituição de rua) da Associação Fernão Mendes Pinto e não se atrevem a avançar com números. “Depende da fase do ano, no Verão há mais, porque também há mais pessoas”, mas o número de mulheres a prostituir-se “desceu, porque foi desmantelada uma rede romena de tráfico. Mas continua a haver raparigas na rua”, romenas, mas também “portuguesas e brasileiras”. Os técnicos tentam que essas as mulheres façam sexo “em segurança” (distribuem preservativos), e tentam criar “uma relação de confiança” para outro tipo de apoio. Mas advertem, “a mulher é a mais julgada, mas se existe prostituição é porque há quem as procura”.

Bela Coutinho

Vozes
Eduarda Reveles
19 anos / Figueira da Foz
Estudante área da Saúde
“É importante e relevante falar destes temas, pelo número de mulheres que morre vítima de violência doméstica, que é assustador, e porque eu tinha uma ideia muito diferente da prostituição, em que a mulher sempre é rotulada e afinal, depois de ver o documentário com a menina, passei a ver o problema de forma diferente”.

Lurdes Palaio
68 anos / Buarcos
Educadora de Infância
“Tema para despertar consciências para uma realidade que existe à frente de todos, mas que não querem ver”.
José Guerra
57 anos / Figueira da Foz
Director da área Social
“É determinante na consciencialização e formação, particularmente destes públicos mais jovens”.

Mariana Mota
18 anos / Figueira da Foz
Estudante área da Saúde
“Este tipo de projectos leva-nos a conhecer mais sobre o que se passa no país e a estar mais despertas para estas situações e a “meter a mão na consciência” quando se julga as pessoas. Eu não fazia ideia nenhuma das dificuldades na prostituição, não é um trabalho como os outros”.

 

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