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Concentrações e roteiro pelas estátuas no Dia da Mulher (Notícias da Covilhã, 7/3/2019)

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Movimento Rede 8 de Março apela à greve ao trabalho remunerado e às tarefas domésticas, a que as mulheres dedicam mais tempo, sem serem pagas por esses serviços

Chamar a atenção para as desigualdades de género, para as várias formas de discriminação a que as mulheres estão sujeitas, mas também consciencializar para mudar mentalidades, para atenuar essas assimetrias.
Estes são alguns dos objectivos da Rede 8 de Março, um movimento internacional e no país com vários núcleos, entre eles o da Cova da Beira.
Na próxima sexta-feira, 8, Dia Internacional da Mulher, há uma concentração às 10h15, na Praça do Município do Fundão. À tarde a iniciativa repete-se, na Covilhã, às 18h, no Pelourinho, onde será construída a estátua alusiva aos princípios que sustentam a primeira.
Greve Feminista no país.
Antes, às 17h, começa no Jardim Público da Covilhã um Roteiro de Estátuas, que pretende demonstrar a invisibilidade das mulheres neste capítulo, apenas representadas no papel de mãe ou de figura religiosa. À noite, na sede da Coolabora, que se associa ao movimento, há um café-concerto.
A Greve Feminista, que os promotores na região sublinham estar a ser preparada tanto por mulheres como por homens, assenta em quatro eixos: a greve ao trabalho assalariado, a greve às tarefas domésticas, a mobilização nas escolas e universidades e a consciencialização para a redução do consumo para um mundo mais sustentável.

Causa de homens e mulheres

Lia Antunes, arquitecta, realça tratar-se de um movimento suprapartidário, em que estão envolvidos homens e mulheres, já que feministas são todos aqueles que defendem a igualdade efectiva de direitos e oportunidades entre homens e mulheres.
"Aqui na Cova da Beira temos tanto mulheres como homens, associações, partidos políticos, colectivos, pessoas a nível individual", vinca.
E se as estatísticas dizem que as mulheres recebem menos 16% do que os homens, o equivalente a trabalharem mais 58 dias por ano sem serem pagas, em casa também são as mulheres quem mais tempo dedica às tarefas domésticas, ao trabalho não remunerado.
"O estudo conhecido recentemente da Fundação Francisco Manuel dos Santos diz que vai demorar cinco gerações até que se atinja um plano de igualdade nas tarefas domésticas. Somos as maiores vítimas da violência de género. Morreram 11 mulheres nos primeiros dois meses do ano. Há desigualdades específicas, então também tem de haver lutas específicas", sustenta Lia Antunes.

"Normalizaram-se desigualdades"

E porque a invisibilidade das mulheres no espaço público é uma evidência comparativamente aos homens, embora eles também integrem o movimento, são elas as porta-vozes.
"Quem dá a cara são sobretudo as mulheres, porque geralmente não somos educadas para tomar a dianteira nem aparecemos nas discussões. Queremos ser nós a dar a cara, o que não implica que não estejam homens a dar-nos apoio", frisa.
A arquitecta enfatiza que o movimento não se esgota no dia 8 de Março, uma vez que pretende estabelecer redes de partilha e de contacto, e sublinha que a intenção é que a mensagem chegue a toda a gente, especialmente a todas as mulheres, independentemente de trabalharem ou não, de serem jovens ou mais velhas, da sua condição social, às minorias, porque "muitos dos problemas são transversais".
"Normalizaram-se desigualdades, então, há que desmistificar, consciencializar. Como é que conseguimos alcançar unia vida digna para todas a para todos, para que sejamos vistos da mesma forma? Ainda há muitas forças que são obstáculos", reforça, apelando à participação nas iniciativas agendadas para o Dia Internacional da Mulher.
O Sindicato das Indústrias, Energia, Serviços e Águas de Portugal (SIEAP), o Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNEsup), o Sindicato dos Trabalhadores de Saúde, Solidariedade e Segurança Social (STSSS), o Sindicato dos Trabalhadores de Call-Center (STCC ) e o Sindicato de todos os Professores (S.TO.P) entregaram pré-avisos de greve.

Ana Ribeiro Rodrigues

 

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