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Rede Portuguesa de Economia Solidária criada em Rio Maior (Focus Social, Dezembro 2015)

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Quarenta e cinco entidades constituíram, em Rio Maior, a Rede Portuguesa de Economia Solidária, para reunir organizações e pessoas que se revêem num conceito de economia ecocêntrica, que vê o Homem como parte da natureza, segundo um dos fundadores.
Rogério Roque Amaro, orador do colóquio "Economia a Solidária - Pertinências e Desafios de um conceito e de práticas inovadoras" - que se realizou no passado dia 13 de 1 novembro, no Fórum Actor Mário Viegas, integrado nas comemorações dos 35 anos do Centro Cultural Regional de Santarém – disse à Lusa que, embora ainda não cons­tituída juridicamente, a Rede Portuguesa de Economia Solidária (RPES) é já uma realidade.
Com 23 entidades individuais e 22 organizações como membros fundadores, a RPES esteve representada na Feira de Economia Solidária da Catalunha (Espanha), que se realizou em Barcelona entre 23 e 25 de outubro, estando em curso a adesão à Rede Europeia de Economia Solidária, um 'braço" da Rede Intercontinental de Promoção da Economia Solidária, surgida em 1997 em Lima, no Peru.
Numa assembleia realizada a 17 de outubro, foi esco­lhido o logotipo e apresentado o blogue da RPES (https:// rpespt.wordpress.com/).
"Economia solidária é um conceito e uma prática relativamente recente em Portugal continental e ainda não bem assimilado nem muito reconhecido", disse Roque Amaro à Lusa, assinalando que nos Açores esta "economia alternativa" é uma realidade há mais de três décadas.
A região foi pioneira em práticas que visaram dar res­posta a situações de pobreza extrema, dos expatriados e de jovens para os quais não havia respostas da "economia dominante", muitas vezes "geradora desses problemas".
O aparecimento de trabalhos de investigação, a intervenção no terreno de organizações como a Cooperativa Terra Chã – que, na aldeia de Chãos, desenvolve iniciativas que se inserem no conceito de economia solidária, com a revitalização de valores culturais e ambientais e promo­vendo o "regresso à aldeia" – e o "número crescente de organizações e pessoas fora dos núcleos universitários que começam a ter a economia solidária como referência" levaram à constituição da rede, apontou o responsável.
A RPES teve a sua assembleia fundadora a 08 de agos­to, em Chãos, da qual saiu um manifesto que justifica o aparecimento da rede "num momento crucial, em que as várias crises (económicas, financeiras, sociais, am­bientais, políticas, civilizacionais e de conhecimento) têm provocado inúmeros sofrimentos e indignidades (sociais, ambientais, culturais, económicas e políticas)".
"As profundas fragilidades e falhas das formas econó­micas e políticas dominantes estão a tornar-se ameaças e problemas preocupantes para o futuro da Humanidade e da vida no planeta e a pôr em causa valores essenciais como a solidariedade, a equidade, a democracia e a trans­parência", refere o manifesto.
Roque Amaro afirmou que o conceito e a prática da economia solidária surgiram como alternativa para as­segurar esses valores "em várias geografias – América Latina, Canadá, Europa e atualmente também na América do Norte".
O professor do Departamento de Economia do ISCTE - Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa e coordenador do curso de pós-graduação e mestrado em Economia Social e Solidária sublinha que a economia solidária procura recuperar dimensões da economia social que se foram perdendo com a assunção por esta de um caráter mais assistencialista e próximo da economia de mercado.
"A economia solidária não se envergonha de ser eco­nomia, quer ser, mas quer ser alternativa, recuperar valores iniciais da economia social que se perderam", como os da democracia participativa e da relação entre iguais, explicou.
Além disso, quer abarcar outros valores como a diver­sidade cultural e outras formas de solidariedade, "como com o ambiente, de acordo com uma sociedade não an­tropocêntrica mas ecocêntrica", acrescentou.

(FocusSocial, nº 8, Dezembro 2015)

 

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