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Viver no rural, visitar o rural: a diversidade de percepções face ao ambiente e ao desenvolvimento
Percepções do rural

Elisabete Figueiredo - Socióloga. Doutorada em Ciências Aplicadas ao Ambiente. Professora Auxiliar na Secção Autónoma de Ciências Sociais, Jurídicas e Políticas, Universidade de Aveiro, 3810-193 Aveiro | Telf. 23 437 24 92 | Fax: 23 437 25 00 | E-mail: elisa@ua.pt

Palavras-chave: Ambiente, desenvolvimento rural, percepções sociais

RESUMO
Ambiente e desenvolvimento são hoje duas faces da mesma moeda nos discursos político, académico e da opinião pública. Ambas as noções são, em grande medida, construções simbólicas e que por isso mesmo não possuem o mesmo significado para todos os agentes e actores so­ciais. Particularmente no que diz respeito às áreas rurais mais remo­tas, as concepções de ambiente e desenvolvimento são entendidas de for­ma bastante diferente por visitantes e residentes, originando percep­ções conflituais e motivando o aparecimento de uma nova dicotomia rural-urbano que é, actualmente, essencialmente social e cultural e que pode condicionar o futuro de muitas áreas rurais em Portugal. Com base em evidência empírica recolhida no Parque Natural de Mon­tesinho e na Serra da Freita, debatem-se as diferentes concepções de ambiente e desenvolvimento, salientando a incompatibilidade de visões, perspectivas e interesses das populações locais e dos visitantes, assim como a sua importância nas estratégias de desenvolvimento local.

ABSTRACT
Environment and development are nowadays inseparable concepts in the political, academic and public opinion discourses. Both notions are mainly symbolic constructions and do not possess the exact same meaning to all social actors and agents. Particularly in what concerns remote rural areas, the conceptions of environment and development are conveyed in a rather different way by visitors and resident populations. This situation originates divergent perceptions and induces the emergence of a new rural-urban dichotomy which is, at the present time, essentially cultural and social in scope and can, simul­taneously, shape the future of many rural areas in Portugal. Based on empirical evidence collected in the Natural Park of Montesinho and Serra da Freita’ areas, we discuss the different conceptions of environment and development, bringing to the fore the incompatibility of visions, perspectives and interests of local populations and visitors, as well as its importance to local development.

RÉSUMÉ
L’environnement et le développement sont aujourd’hui deux notions indissociables dans les domaines politique, académique et public. Les deux notions sont des constructions symboliques, et, à cet effet, n’ont pas le même sens pour tous les agents et acteurs sociaux. Particulièrement en ce qui concerne les zones rurales isolées, les conceptions d’environnement et de développement sont entendues de façon différente par les visiteurs et les populations locales. Cette situation provient des perceptions divergentes et induit l’émergence d’une nou­velle dichotomie rural-urbain qui est, aujourd’hui, essentiellement cul­turel et sociale dans sa portée et peut, en même temps, conditionner l’avenir de nombreuses zones rurales au Portugal. Se fondant sur des don­nées empiriques recueillis dans le Parc Naturel de Montesinho et dans la Serra da Freita, nous discutons les différentes conceptions d’en­vironnement et de développement, en mettant en évidence l’incom­patibilité des visions, des perspectives et des intérêts des populations locales et des visiteurs, ainsi que son importance pour le développement local.

Viver no rural, visitar o rural: a diversidade de percepções face ao ambiente e ao desenvolvimento As Áreas Rurais e a Função Ambiental

As inúmeras transformações que ocorreram nas áreas rurais um pouco por todo o mundo ocidental conduziram ao desaparecimento do mun­do rural como o conhecemos durante muito tempo. A este desapa­recimento tem, por outro lado, correspondido a sua redescoberta por parte essencialmente das populações não rurais, que se sustenta numa crescente valorização da função ambiental que o mundo rural parece po­der desempenhar na actualidade, assim como se materializa na sua cres­cente procura e consumo. Efectivamente nos últimos anos tem cres­­cido o reconhecimento, tanto social como institucional, de que o mun­­do rural é um património e um valor a preservar para benefício da sociedade entendida no seu conjunto, tendo em conta as várias funções e oportunidades que possui1.

Como se afirmou já em outros contextos, ao longo de várias déca­das, o espaço rural foi marginalizado, integrado e valorizado, correspon­dendo estas fases primeiro a uma situação dicotómica (o meio rural defi­nido por oposição ao meio urbano, como o seu negativo) depois a uma situação de continuum (que, na prática, continuou a demarcar os dois espaços, uma vez que nem todas as áreas rurais representavam o mesmo nível de interesse para o modelo de desenvolvimento dominante) e finalmente, na actualidade, a uma situação de valorização social e ins­­titucional crescente, que parece corresponder à (re)descoberta do mun­­do rural como reserva de heranças e memórias sociais, culturais e ambientais únicas (Figueiredo, 2003a e 2003b). A estas diferentes fa­ses correspondem também diferentes representações do meio rural que passam do entendimento desse meio como negação da modernidade (representada essencialmente pelo urbano), pelo apego às tradições, aos modos de vida camponeses relativamente fechados, para o seu en­ten­dimento como herança a preservar, pela sua modernidade (Reis e Santos, 1995).

As descontinuidades territoriais, económicas e sociais provocadas pela expansão da urbanização e da industrialização originaram movi­mentos a favor da preservação da sociedade rural, em oposição a um pro­cesso de desenvolvimento que impunha a massificação e a homoge­neização da sociedade e a degradação ou alteração de certos valores cul­turais, sociais e ambientais. Deste modo, começa a entender-se a rura­lidade como “reserva moral e cultural” (Chamboredon, 1980), ou seja, já não a ruralidade como sinónimo de uma condição concreta de oposição ou marginalização relativamente ao processo de moderniza­ção da sociedade global, mas antes como sinónimo de uma noção que re­mete para a modernidade vivida através da descoberta e valorização das diferenças, do autêntico e do genuíno.

O mundo rural adquire, deste modo, cada vez mais um valor sim­bólico, que decorre essencialmente de algumas das características que mais marcaram esse mundo e que funcionam como uma espécie de quadro de referência para os indivíduos urbanos2, uma espécie de reserva da memória do passado. Ou como referem Redclift e Woodgate (1994) “o campo tem assumido um estatuto de ‘herança’, tal como as cate­drais, porque nos mostra o nosso passado”. Esta representação das áreas rurais tem como face mais visível a crescente procura e consu­mo destas áreas que se pretendem quase sempre “imóveis e embalsama­das [através da perpetuação das tradições] porque os mais belos museus são aqueles em que as maquetes são realmente vivas e animadas, as re­servas onde o passado camponês e os camponeses do passado sobre­vivem” (Chamboredon, 1980). Tudo isto contribui para que a paisagem rural (agrícola e florestal essencialmente) e os habitantes rurais se cons­tituam como “objectos de apropriação estética” (Chamboredon, 1980) que a sociedade globalmente considerada pretende manter e preservar.

Esta identificação (sobretudo por parte dos urbanos, mas também do Estado3) do mundo rural como objecto estético está intimamente rela­cionada com o crescimento económico, com o aumento do nível e da qualidade de vida que ele proporcionou e, ainda, com o advento da so­ciedade de consumo. Estes aspectos fizeram com que “os membros das sociedades industrializadas concebam os espaços naturais e rurais que escaparam à agricultura mecanizada e à urbanização, como objectos de consumo, como espaços propiciadores de fuga ao seu quadro de vida quotidiano” (Picon, 1992).

Aliado ao simbolismo cultural e moral do mundo rural surge igual­mente o seu “simbolismo ambiental” (Flinn e Buttel, 1992, Macnaghten e Urry, 1998; Figueiredo, 2003a)), que tem conduzido àquilo que Ma­thieu e Jollivet (1989) definem como uma formulação urbana frequente e cada vez mais actual, a de que “o ambiente é a natureza e a natureza é o campo4. A procura e consumo do campo, por razões relacionadas com as suas características ambientais (reais ou idealizadas), ocorre “no mesmo momento em que a sociedade rural procura aceder ao desen­volvimento económico e social” (Figueiredo, 2003b). Para certos autores, como por exemplo Etchelecou (1991) esta questão é essencial, já que pres­supõe a existência de um desfasamento histórico entre as questões do ambiente e as dinâmicas socioeconómicas dos espaços rurais. Este des­fasamento integra tanto percepções e valorizações diversas do ambi­ente, como visões diversas, senão mesmo opostas, dos aspectos que devem formar o desenvolvimento, para rurais e urbanos (Figueiredo, 2003a). Isto porque, como argumenta, entre outros Mormont (1994), as questões ambientais emergiram nas sociedades urbanizadas e indus­trializadas do mundo ocidental, ou seja, não são questões originalmente rurais, que os rurais coloquem a propósito do seu quotidiano ou do seu modo de desenvolvimento. No entanto, estas questões dizem cada vez mais respeito ao meio rural.

Os conceitos de natureza e paisagem identificam-se, assim e cada vez mais nas sociedades modernas europeias e também em Portugal, com o mundo rural (Figueiredo, 2008). Esta identificação, é susceptível de provocar conflitos vários entre os diversos utilizadores do espaço ru­ral, já que se os urbanos (e de certa forma também o próprio Estado) pos­suem uma visão a que poderemos chamar estética da natureza, os rurais, principalmente os agricultores (pelo próprio carácter da sua acti­vidade), têm dessa mesma natureza uma visão a que, por oposição, poderemos chamar utilitária (Figueiredo, 2003b)5. Os conflitos entre estas visões e actores sociais podem ocorrer devido à existência de inte­resses, necessidades e aspirações diversos.

Para além da natureza rural não ser toda a natureza, ela não diz so­mente (e sobretudo principalmente) respeito aos rurais. Existe um ou­tro olhar sobre o ambiente e sobre a natureza e os recursos rurais que se tem, inclusivamente, revelado mais importante que o seu: o olhar das populações urbanas e o olhar do Estado. É precisamente es­te (duplo) olhar exterior que institui as áreas rurais como áreas ‘natu­rais’, como amenidade e como ambiente a preservar (Figueiredo, 2003a).
A diversidade cultural e ambiental que as áreas rurais possuem permite-lhes uma atractividade até aqui desconhecida, sobretudo se tivermos em conta essa diversidade no contexto de sociedades urba­nizadas e modernas, cada vez mais homogéneas e globalizadas. A valo­rização e preservação das diferenças torna-se um imperativo neste con­texto, constituindo-se as áreas rurais como ilhas de diversidade e memória.

As novas funções do mundo rural em relação à sociedade global e as novas interdependências que aquelas originam, só poderão ser asse­guradas se também estiverem asseguradas algumas condições básicas para a sua sobrevivência e para a dos seus habitantes, se não qui­sermos (como aliás defendemos) que os espaços rurais se transfor­mem em reservas no sentido literal do termo ou em museus que, ainda que animados, serão sempre (por definição) uma cristalização do pas­sado, cenários e espectáculos montados para turista ver (Butler e Hall, 1998; Macnaghten e Urry, 1998; Figueiredo 2003c).


Ambiente e Desenvolvimento Rural – os vários significados dos conceitos

Apesar de ambiente e desenvolvimento serem crescentemente en­tendidos como dois conceitos profundamente interligados, o que refe­rimos na secção anterior demonstra que o seu significado é variável de acordo com os contextos e grupos sociais, ou seja, o seu significado não é o mesmo para todas as pessoas. Os dados recolhidos no âmbito de uma investigação de doutoramento (Figueiredo, 2003a)6, acerca das áreas do Parque Natural de Montesinho (PNM) e da área da Serra da Freita (SF)7 demonstram exactamente a existência de visões desconci­dentes acerca dos significados de ambos os conceitos, para residentes rurais e visitantes urbanos, levando há conclusão de que existe um rural para viver e outro para visitar, que apesar de coexistentes num mesmo espaço possuem contornos muito diversos em termos de repre­sentações sociais, de desejos, aspirações e necessidades dos diversos actores que o frequentam.

De um modo muito global e com base em toda a análise empírica efectuada8 e salvaguardando a diversidade sociológica que cada um des­tes grupos encerra, é possível referir que face ao ambiente rural, os habi­tantes (assim como os Presidentes das Juntas de Freguesia), os visi­tantes e o Estado (ao seu nível central e ao nível municipal) apresen­tam representações muito diversas.

Apesar de inicialmente se ter consi­derado que a diferença de es­tatuto legal de protecção entre as duas áreas (sendo o PNM uma área legalmente protegida e não possuindo a área da SF nenhum estatuto de protecção) seria uma variável impor­tante de diferenciação, os dados demonstram apenas muito ligeiras variações que podem ser atribuídas a essa circunstância. As grandes diferenças são entre as duas categorias de actores considerados: os visi­tantes e os residentes9. Assim, os habi­tantes de ambas as áreas re­velam uma visão antropocêntrica, materia­lista e utilitária do ambiente rural. Para os habitantes os elementos naturais, em primeiro lugar e o ambiente num sentido mais lato são an­tes de mais um recurso para ser utilizado no quotidiano. Porque quo­tidiano, é igualmente um am­biente vivido e como tal ele assume um estatuto de relativa vulgaridade para estes actores sociais. Neste sentido, o ambiente tende a ocupar (por referência aos processos de pro­moção do desenvolvimento econó­mico um papel amplamente secun­dário). Ao contrário, os visitantes pos­suem uma percepção ecocêntrica, pós-materialista e estética do ambiente rural. Trata-se de um ambiente considerado invulgar no seu quo­tidiano e por isso mesmo excepcional, assumindo-se como desejado. O ambiente assume um papel largamente principal nas estratégias de desenvolvimento socioeconómico do PNM e da SF para estes actores sociais.

O Estado tem uma posição que podemos considerar dualista, se bem que reflicta com mais intensidade nas suas intervenções as pers­pectivas urbanas sobre o rural. Assim a visão veiculada é essencialmen­te ecocêntrica e pós-materialista. Por outro lado, ao considerar cer­tas áreas rurais como dignas de ser protegidas e outras sem especial va­lor am­biental, o Estado veicula uma visão simultaneamente estética e utili­tária, e um entendimento do rural que é de excepcionalidade (nuns casos) e de vulgaridade (noutros casos). A figura 1 pretende apresentar, de modo muito esquemático, aquelas que são as principais diferenças entre todos os actores e agentes considerados relativamente ao ambiente rural.


Outra das principais conclusões da evidência empírica produzida, está associada à décalage entre a centralidade do ambiente rural a nível externo e a necessidade de desenvolvimento socioeconómico a nível interno. Efectivamente, este desfazamento está bem patente na figura 2, em que (tendo os mesmos actores em presença) se observa que para os habitantes o desenvolvimento se constituí efectivamente como a prioridade para as suas áreas de residência.

Este desenvolvimento desejado pelos rurais materializa-se na criação de mais empregos, no surgimento de indústrias, na satisfação das necessidades básicas em termos de serviços, infra-estruturas e equi­pamentos. Para os visitantes o desenvolvimento é agora identificado com a protecção da natureza e do ambiente, com a preservação das ca­racterísticas tradicionais das áreas rurais e ainda com a promoção de equipamentos turísticos diversos. Mais uma vez o Estado medeia entre estas duas posições, procurando assentar o desenvolvimento das áreas rurais em aspectos como a agricultura (que não deixou de ser o elemento central das medidas e programas para estas áreas) e a promoção de actividades de recreio e lazer. Este desenvolvimento tem agora subjacentes crescentes preocupações com as questões associadas à protecção e preservação da natureza, do ambiente e das áreas rurais como um todo, mas essencialmente para benefício dos urbanos. Mais ainda, podemos dizer que, de um modo geral, as visões dos residentes locais não são tidas em consideração nos programas e medidas institucionais para as áreas rurais, sejam eles de protecção ambiental, sejam de promoção do desenvolvimento.

As funções ambientais das áreas rurais para os não rurais poderão ter diversos efeitos negativos e redundar em conflitos como os que se observam na área do PNM e da SF. São conflitos que se associam à di­co­tomia em termos de representações sociais e institucionais entre o rural como espaço de vida ‘versus’ o rural como espaço de recreio, mui­to particularmente como protegido10. A dicotomia que se anuncia é pre­dominantemente social, embora possua também contornos espaciais já que é no mesmo espaço que se observa a dualidade de representações e práticas sociais, susceptíveis de condicionar os trajectos futuros de desenvolvimento.

Anunciámos o desaparecimento do rural como espaço dotado de dinâ­micas próprias, ao mesmo tempo que prenunciámos o seu renasci­mento como mundo recriado ou reinventado, segundo legitimidades, inte­resses e necessidades que lhe são estranhas. Parece-nos relevante, neste contexto, questionar a atractividade de um rural despojado das suas características e dinâmicas reais, já que consideramos que a mu­seificação ou recriação do rural não terá a mesma força atractiva para os visitantes e será seguramente motivo de maior repulsão para os seus habitantes. Mais ainda, os programas e medidas de desenvolvi­mento rural não parecem inclinar-se para a promoção de uma conser­vação viva do rural, o que nos leva à conclusão de que estamos também perante uma direcção política de reinvenção do rural essencialmente para benefício dos urbanos. Este facto impede a construção de cenários futuros efectivos para o delinear de políticas de desenvolvimento rural que ultrapassem aquele aspecto. Nesta linha, a devolução dos espaços rurais aos seus habitantes parece tornar-se um imperativo cada vez maior. As medidas decorrentes de um tal imperativo supõem coisas bas­­­tante diversas, mas sobretudo a existência de um factor fundamen­tal – o tempo. Se por um lado o tempo para intervir no rural profundo se esgota diante do seu progressivo desaparecimento ou recriação, por outro lado o mesmo tempo é uma variável fundamental no desenvolvi­mento de uma acção eficaz e socialmente legitimada em prol da sua reanimação.


Notas
1 Para além da sua função tradicional de espaço produtor de alimentos e de matérias-­­ -pri­mas, as dimensões de espaço de recreio e lazer, de conservação de certas tradições culturais, de preservação do ambiente natural, entre outras, são dimensões cada vez mais valorizadas pela sociedade em geral.
2 Usamos as designações urbanos e rurais de uma forma demasiado genérica, por razões de comodidade. Temos, no entanto presente que ambas as categorias são dotadas de grande diversidade e complexidade internas.
3 Entre nós, uma leitura atenta dos vários planos nacionais de desenvolvimento desde há vários anos, assim como dos planos, programas e medidas destinados especificamente às áreas rurais, fazem precisamente sobressair este novo interesse institucional sobre o rural,­ pela via da preservação das suas características tradicionais.
4 Apesar de ser bastante usual, esta equação não é exacta porque o ambiente não é apenas (e não prioritariamente) os campos, os bosques, as ribeiras… enfim tudo o que é simbolizado como paisagem rural… o ambiente são também as florestas tropicais, os oceanos e ainda a atmosfera. Por outro lado, a natureza rural é ela mesma “
bem menos natural do que aparenta” (Mathieu e Jollivet, 1989), bastando para comprovar esta afirmação pensarmos nos impactes negativos que têm o uso de fertilizantes e outros produtos químicos, as explorações pecuárias e avícolas e ainda a florestação maciça com espécies de crescimento rápido e rendimento elevado, como o é o eucalipto.
5 A propósito das diferenças entre rurais e urbanos relativamente às representações e práticas da natureza e do ambiente, ver também Dunlap e Tremblay Jr (1978), Mathieu e Jollivet (1989), Picon (1992) e Mormont (1994), Macnaghten e Urry (1998), entre outros.
6 Ver igualmente os trabalhos de Valente (2001), Valente e Figueiredo (2003 e 2005).
7 Os dados foram produzidos a partir da aplicação de inquéritos por questionário, inquéritos por entrevista e análise documental. Os questionários foram aplicados a 150 visitantes e a 220 residentes em 16 freguesias do Parque Natural de Montesinho (criado pelo Decreto-Lei 355/79 de 30 de Agosto). Paralelamente, foram também realizadas entrevistas aos pre­sidentes de Junta de Freguesia, aos presidentes da Câmara de Bragança e Vinhais, ao Director do Parque Natural e ainda ao coordenador da Associação de Desenvolvimento Local – CORANE. No caso da Serra da Freita foram inquiridos 150 visitantes e 201 residentes. Também foram realizadas entrevistas aos presidentes das Juntas de Freguesia, presidentes das Câmaras Municipais e aos representantes das duas Associações de Desenvolvimento Local – ADRIMAG e ADDLAP. A amostra aos residentes, em ambas as áreas, foi construída a partir do estabelecimento de quotas em função das suas características objectivas, como a idade, a condição perante o trabalho, o sector de actividade económica e o nível de escolaridade. No caso dos visitantes, também em ambas as áreas, realizámos igualmente uma amostra por quotas, para os locais mais procurados.
8 Para uma consulta a todos os dados empíricos produzidos e à sua análise ver o trabalho de Figueiredo (2003a).
9 Os dados foram analisados com recurso a testes não paramétricos (medidas de associa­ção do Qui-quadrado e Cramer’s V) e à Análise em Componentes Principais, utilizando o método Homals – Homogeneity Analysis. Ambos demonstraram uma homogeneidade no interior das duas categorias consideradas e, consequentemente, uma elevada diferenciação entre ambas.
6 Ver igualmente os trabalhos de Valente (2001), Valente e Figueiredo (2003 e 2005).
7 Os dados foram produzidos a partir da aplicação de inquéritos por questionário, inquéritos por entrevista e análise documental. Os questionários foram aplicados a 150 visitantes e a 220 residentes em 16 freguesias do Parque Natural de Montesinho (criado pelo Decreto-Lei 355/79 de 30 de Agosto). Paralelamente, foram também realizadas entrevistas aos pre­sidentes de Junta de Freguesia, aos presidentes da Câmara de Bragança e Vinhais, ao Director do Parque Natural e ainda ao coordenador da Associação de Desenvolvimento Local – CORANE. No caso da Serra da Freita foram inquiridos 150 visitantes e 201 residentes. Também foram realizadas entrevistas aos presidentes das Juntas de Freguesia, presidentes das Câmaras Municipais e aos representantes das duas Associações de Desenvolvimento Local – ADRIMAG e ADDLAP. A amostra aos residentes, em ambas as áreas, foi construída a partir do estabelecimento de quotas em função das suas características objectivas, como a idade, a condição perante o trabalho, o sector de actividade económica e o nível de escolaridade. No caso dos visitantes, também em ambas as áreas, realizámos igualmente uma amostra por quotas, para os locais mais procurados.
8 Para uma consulta a todos os dados empíricos produzidos e à sua análise ver o trabalho de Figueiredo (2003a).
9 Os dados foram analisados com recurso a testes não paramétricos (medidas de associa­ção do Qui-quadrado e Cramer’s V) e à Análise em Componentes Principais, utilizando o método
Homals – Homogeneity Analysis. Ambos demonstraram uma homogeneidade no interior das duas categorias consideradas e, consequentemente, uma elevada diferenciação entre ambas.
10 Mais uma vez, para um aprofundamento destas questões ver Figueiredo (2003a).



Bibliografia

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